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m Data Center Tier III precisa ser projetado para permitir manutenção de componentes e sistemas críticos sem interromper a operação da carga de TI.

Na teoria, parece simples.

Na prática, é uma exigência que envolve decisões de engenharia, arquitetura, infraestrutura, montagem, coordenação multidisciplinar, testes e, principalmente, uma execução fiel ao projeto.

É por isso que obter uma certificação Tier III não depende apenas de especificar equipamentos redundantes. É necessário demonstrar que toda a infraestrutura foi concebida e construída para manter a operação durante as atividades de manutenção previstas.

Esse é o conceito de concurrently maintainable, uma das principais características do Tier III segundo o Uptime Institute.

O que significa ser Tier III?

O Uptime Institute Tier Classification System estabelece quatro níveis de classificação para a infraestrutura de Data Centers.

No Tier III, a infraestrutura é projetada para permitir manutenção planejada sem necessidade de desligar a carga crítica de TI. Para isso, a instalação deve contar com capacidade redundante e caminhos de distribuição que possibilitem a manutenção dos componentes sem interromper a operação.

Isso envolve muito mais do que ter dois equipamentos.

A redundância precisa fazer sentido dentro da arquitetura completa da instalação.

Geradores, UPS, sistemas de climatização, bombas, chillers, equipamentos de distribuição elétrica e outros componentes críticos precisam estar inseridos em uma topologia que permita a retirada de determinados elementos para manutenção sem comprometer a continuidade da operação.

É justamente aí que o projeto começa a encontrar a obra.

A certificação começa antes da construção

A certificação Tier não acontece somente quando o Data Center está pronto.

O Uptime Institute possui diferentes etapas de certificação ao longo do ciclo de vida da instalação. Uma delas é a Tier Certification of Design Documents (TCDD), que avalia se o projeto proposto atende aos requisitos do Tier pretendido.

Nesse momento, são analisados os documentos de engenharia e arquitetura e a forma como os sistemas foram concebidos.

Entre os elementos avaliados estão as soluções de infraestrutura elétrica e mecânica, capacidade, distribuição, fontes de energia, sistemas de climatização e demais componentes necessários para atender aos objetivos de disponibilidade.

Isso significa que a certificabilidade de um Data Center começa no papel.

Se a topologia não permitir a manutenção necessária sem impacto sobre a carga crítica, dificilmente será a execução que irá corrigir esse problema.

O desafio é construir exatamente o que foi projetado

Depois da aprovação do projeto, surge outro desafio: transformar a intenção de engenharia em uma instalação real.

É nessa etapa que entra a Tier Certification of Constructed Facility (TCCF).

Segundo o Uptime Institute, essa certificação verifica se a instalação foi construída conforme o projeto e se é capaz de atender aos requisitos de desempenho definidos para o Tier. A avaliação considera a infraestrutura efetivamente instalada e inclui demonstrações dos sistemas em funcionamento.

E é justamente nesse ponto que pequenas alterações podem gerar grandes consequências.

Uma mudança de rota. Um equipamento substituído. Uma conexão diferente daquela prevista em projeto. Um barramento compartilhado. Uma válvula instalada sem a possibilidade de isolamento adequada. Uma infraestrutura que, no papel, deveria ser independente, mas que na execução passou a compartilhar um ponto crítico.

Cada decisão desse tipo precisa ser analisada considerando o comportamento do sistema como um todo.

Por isso, em Data Centers, construir conforme o projeto não significa apenas seguir desenhos. Significa preservar a estratégia de disponibilidade definida pela engenharia.

Redundância não é apenas colocar um equipamento a mais

Um dos conceitos mais conhecidos quando se fala em Data Centers é o N+1.

De forma simplificada, N representa a quantidade de componentes necessária para atender à carga e o “+1” representa uma capacidade adicional de redundância.

Mas um projeto Tier III não pode ser resumido simplesmente à presença de equipamentos N+1.

A topologia completa precisa permitir que os componentes sejam retirados de operação para manutenção sem interromper a carga crítica.

Isso envolve também os caminhos de distribuição.

Imagine, por exemplo, que um sistema tenha dois equipamentos de climatização, mas que ambos dependam de uma única infraestrutura que não pode ser isolada para manutenção.

Ou que existam fontes redundantes de energia, mas um trecho da distribuição introduza um ponto único de falha.

A quantidade de equipamentos, isoladamente, não garante a disponibilidade.

É a arquitetura do sistema que determina como a redundância funciona.

A obra precisa preservar as interfaces críticas

Um Data Center reúne uma grande quantidade de sistemas que precisam funcionar simultaneamente.

Elétrica, HVAC, civil, estrutura, hidráulica, diesel, automação, telecomunicações, proteção contra incêndio e diversos outros sistemas possuem interfaces entre si.

O próprio Uptime Institute destaca a complexidade dessa etapa, mencionando a participação de múltiplos fornecedores, contratadas e dezenas de disciplinas diferentes na construção de um Data Center.

É por isso que a coordenação multidisciplinar é tão importante.

Uma interferência aparentemente pequena pode comprometer uma solução prevista no projeto. Uma passagem de infraestrutura que muda de posição pode afetar acessibilidade para manutenção. Uma alteração em uma tubulação pode interferir em um equipamento. Uma mudança no layout pode reduzir o espaço necessário para manutenção.

Em instalações de missão crítica, essas interfaces precisam ser tratadas com o mesmo rigor aplicado aos próprios equipamentos.

E o comissionamento?

Se o projeto define como o sistema deve funcionar e a obra materializa essa solução, o comissionamento é responsável por demonstrar que tudo realmente funciona como previsto.

O processo de certificação da instalação do Uptime Institute inclui demonstrações dos sistemas em condições reais de operação, verificando se a infraestrutura construída atende ao objetivo de Tier definido.

Por isso, o comissionamento não deve ser tratado como uma etapa isolada no final da obra.

Quanto mais cedo os testes e critérios de aceitação forem considerados, maior a possibilidade de identificar problemas antes que eles cheguem à fase final.

Testes de equipamentos, sistemas e integração precisam fazer parte de uma estratégia planejada desde o desenvolvimento do projeto.

O objetivo é simples: chegar à operação com os sistemas conhecidos, testados e documentados.

Do projeto à instalação certificada

Existe uma diferença importante entre ter um projeto que atende ao Tier III e ter uma instalação construída e certificada como Tier III.

A primeira questão está relacionada à solução projetada.

A segunda envolve comprovar que aquilo que foi projetado foi efetivamente construído e que a instalação apresenta o desempenho esperado.

O Uptime Institute estrutura essa jornada em diferentes etapas de certificação, começando pelo projeto e avançando para a instalação construída e, posteriormente, para a sustentabilidade operacional.

Essa continuidade é fundamental.

Não adianta ter uma excelente engenharia se a execução não preservar suas premissas.

Da mesma forma, não basta construir corretamente se os sistemas não forem devidamente testados e demonstrados.

Projeto, construção e comissionamento precisam falar a mesma língua.

A experiência da MSE em Data Centers

A atuação em ambientes de missão crítica exige integração entre diferentes áreas da engenharia e construção.

A MSE Engenharia participou da implantação do Data Center Tier III da Itaipu, atuando em um empreendimento no qual a confiabilidade da infraestrutura era um requisito fundamental.

Nesse tipo de projeto, a integração entre engenharia, construção, sistemas elétricos, infraestrutura, montagem e comissionamento deixa de ser apenas uma vantagem operacional.

Ela passa a ser parte da estratégia de entrega.

A experiência da MSE também se estende a projetos de Data Centers desenvolvidos para diferentes clientes do setor, reunindo competências de engenharia e execução para sistemas críticos.

Esse modelo permite que as decisões tomadas no projeto sejam acompanhadas durante a implantação, reduzindo a distância entre o que foi especificado e o que efetivamente chega ao campo.

Tier III não é apenas um certificado

Uma certificação Tier III representa uma característica concreta da infraestrutura: a capacidade de realizar determinadas atividades de manutenção planejada sem interromper a carga crítica de TI.

Por trás desse resultado existe uma cadeia inteira de decisões.

Existe o projeto. Existe a especificação dos sistemas. Existe a compatibilização. Existe a construção. Existe a montagem. Existe o controle das interfaces. Existe o comissionamento.

E existe a demonstração de que a instalação funciona conforme o desempenho esperado.

É por isso que, em um Data Center, confiabilidade não é criada no dia da certificação. Ela é construída desde a primeira decisão de engenharia.

Referências

  • Uptime Institute — Tier Classification System: referência oficial para os critérios de classificação Tier e o conceito de infraestrutura Tier III como concurrently maintainable.
  • Uptime Institute — Tier Certification: visão geral das etapas de certificação de projeto, construção e operação.
  • Uptime Institute — Tier Certification of Design Documents: critérios e processo de avaliação dos documentos de projeto.
  • Uptime Institute — Tier Certification of Constructed Facility: processo de verificação da instalação construída e demonstração dos sistemas.
  • Telecommunications Industry Association — ANSI/TIA-942: norma internacional que aborda infraestrutura de Data Centers, incluindo aspectos de telecomunicações, arquitetura, elétrica, mecânica, segurança contra incêndio e segurança física. A versão atual publicada pela TIA é a ANSI/TIA-942-C.
  • MSE Engenharia — Data Center Tier III Itaipu: referência de portfólio da MSE para atuação em infraestrutura de missão crítica.

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