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m Data Center pode parecer, à primeira vista, apenas uma grande estrutura repleta de servidores, sistemas elétricos e equipamentos de climatização. Na prática, porém, o que garante sua disponibilidade, eficiência e capacidade de expansão começa muito antes da construção.

Antes do primeiro rack ser instalado, decisões importantes já precisam estar tomadas: qual será a capacidade de TI? Qual a densidade de potência por rack? Quantos racks serão instalados? Qual nível de redundância será necessário? Como será feita a distribuição elétrica? Qual solução de climatização será adotada? E qual será o desempenho energético esperado?

É nessa etapa que a engenharia começa a definir o Data Center.

Em projetos de missão crítica, é comum que o desenvolvimento seja estruturado em diferentes níveis de maturidade, passando pelo Conceptual Design, Design Development (DD), Construction Documents (CD) e Issued for Construction (IFC). Mais do que etapas documentais, esses estágios representam a evolução das decisões de engenharia até que o projeto esteja pronto para ser executado em campo.

1. Conceptual Design: quando as premissas ganham forma

O Conceptual Design é o momento em que o conceito do Data Center começa a ser transformado em uma solução de engenharia.

Aqui são estabelecidas as principais premissas do empreendimento: capacidade instalada, densidade de potência, quantidade e distribuição dos Data Halls, áreas técnicas, arquitetura preliminar, sistemas elétricos, climatização, infraestrutura de telecomunicações e requisitos de disponibilidade.

Também começam a ser avaliados indicadores importantes para o empreendimento, como a eficiência energética e o Power Usage Effectiveness (PUE).

O objetivo não é detalhar cada componente da instalação, mas criar uma base técnica consistente para as próximas decisões.

É justamente nessa fase que muitas das decisões que impactarão custo, prazo e desempenho futuro começam a ser tomadas.

Uma alteração aparentemente simples no conceito pode representar mudanças significativas posteriormente, quando equipamentos já tiverem sido especificados, comprados ou instalados.

2. Design Development: transformando conceito em solução

Com as premissas consolidadas, o projeto avança para o Design Development (DD).

É nessa fase que o conceito passa a ser traduzido em soluções técnicas mais definidas.

O Basis of Design (BoD) ganha importância como documento de referência para as decisões de engenharia e para o desenvolvimento das especificações.

As principais topologias dos sistemas começam a ser consolidadas, incluindo:

  • distribuição elétrica;
  • sistemas de climatização e rejeição de calor;
  • geração de emergência;
  • UPS;
  • transformadores;
  • sistemas de distribuição de energia;
  • infraestrutura hidráulica;
  • sistemas de proteção contra incêndio;
  • infraestrutura de telecomunicações.

Outro ponto fundamental é a identificação dos chamados long-lead items — equipamentos cujo prazo de fabricação e fornecimento pode impactar diretamente o cronograma do empreendimento.

Geradores, transformadores, UPS, chillers, painéis e outros equipamentos críticos podem possuir prazos de fornecimento relevantes. Por isso, a engenharia precisa estar alinhada ao planejamento de suprimentos desde as primeiras etapas.

Em um Data Center, projeto e compras não podem trabalhar em momentos completamente separados.

A engenharia precisa antecipar decisões que protejam o cronograma.

3. Construction Documents: o projeto executivo

Na etapa de Construction Documents (CD), o projeto ganha um nível de detalhamento suficiente para orientar contratações, fornecimentos e execução.

É o momento em que as diferentes disciplinas avançam para suas soluções executivas, considerando não apenas cada sistema individualmente, mas também suas interfaces.

Dependendo do escopo do empreendimento, podem fazer parte dessa etapa disciplinas como:

Civil e infraestrutura: terraplenagem, drenagem, pavimentação, fundações e estruturas.

Elétrica: entrada de energia, média e baixa tensão, subestações, transformadores, grupos geradores, UPS, distribuição e barramentos.

Climatização: sistemas HVAC, água gelada, equipamentos de rejeição de calor e distribuição.

Proteção e segurança: SPDA, aterramento, sistemas de detecção e alarme de incêndio, SPCI e firestop.

Instalações: hidráulicas, diesel, infraestrutura de telecomunicações e demais sistemas de suporte.

Cada disciplina precisa apresentar desenhos, memoriais, especificações, listas de materiais e demais documentos necessários para a contratação e execução.

É também nessa etapa que a coordenação multidisciplinar ganha ainda mais importância.

Um Data Center concentra uma quantidade elevada de sistemas críticos dentro de uma mesma instalação. Por isso, não basta que cada disciplina esteja tecnicamente correta de forma isolada. É preciso garantir que todas elas funcionem juntas.

4. IFC: quando o projeto chega ao campo

O Issued for Construction (IFC) representa a consolidação do projeto para execução.

Antes de chegar ao campo, os documentos precisam incorporar os comentários e ajustes do cliente, além das revisões decorrentes da coordenação entre as disciplinas.

A compatibilização é especialmente importante em Data Centers.

Uma interferência entre uma infraestrutura elétrica e um sistema de climatização, por exemplo, pode parecer pequena no modelo, mas gerar impacto significativo quando descoberta durante a execução.

Por isso, ferramentas de coordenação BIM e processos de revisão multidisciplinar são fundamentais para reduzir conflitos antes que eles cheguem à obra.

Quando o projeto chega ao IFC, a expectativa é que as principais decisões de engenharia já estejam resolvidas e que o campo possa executar com segurança e previsibilidade.

Mas existe um ponto importante nessa jornada: o IFC não é o fim da engenharia.

Em empreendimentos de missão crítica, a integração entre projeto, suprimentos, construção, montagem e comissionamento continua sendo determinante até a entrada efetiva dos sistemas em operação.

O que acontece nas interfaces?

Um dos maiores desafios de um Data Center não está necessariamente dentro de uma disciplina específica.

Está nas interfaces.

Projeto e suprimentos. Suprimentos e construção. Civil e elétrica. Elétrica e climatização. Equipamentos e infraestrutura. Construção e comissionamento.

É nessas conexões que decisões atrasadas, incompatibilidades ou mudanças de escopo podem gerar impactos significativos no cronograma.

Por isso, uma abordagem integrada de engenharia e construção pode fazer diferença especialmente em projetos nos quais a data de energização e operação é um marco crítico.

Engenharia integrada para ambientes de missão crítica

A experiência em Data Centers exige mais do que conhecimento de uma disciplina isolada.

É necessário compreender como infraestrutura, arquitetura, engenharia, equipamentos, montagem e comissionamento se conectam para formar uma instalação capaz de operar continuamente.

A MSE Engenharia atua nesse ambiente integrando diferentes competências de engenharia e construção.

Nos projetos desenvolvidos para o setor de Data Centers, a empresa reúne experiência em disciplinas como elétrica, civil, instalações, SPCI, infraestrutura e montagem, além da capacidade de integrar projeto e execução.

Um exemplo é a atuação da MSE em projetos da Scala Data Centers, incluindo empreendimento em Barueri (SP), com 16,5 MVA de potência elétrica e 6 MW de capacidade de TI, além de sistemas de média e baixa tensão, transformadores, grupos moto-geradores, UPS, barramentos, aterramento, SPDA e SPCI.

Outro marco é o Data Center Tier III da Itaipu, desenvolvido em Foz do Iguaçu, reforçando a atuação da MSE em infraestrutura de missão crítica.

Mais do que projetar: integrar

O desenvolvimento de um Data Center não pode ser analisado apenas como uma sequência de desenhos.

Cada etapa representa um nível de decisão.

No Conceptual Design, definem-se as premissas. No DD, essas premissas tornam-se soluções. No CD, as soluções são detalhadas. No IFC, o projeto está preparado para chegar ao campo.

E, a partir daí, a engenharia continua presente na construção, montagem, testes e comissionamento.

Para um empreendimento de missão crítica, essa integração é fundamental.

Porque, em Data Centers, prazo, disponibilidade, eficiência e segurança não são definidos apenas no canteiro de obras. Eles começam a ser construídos muito antes — ainda no projeto.

Referências

  • Uptime Institute — Tier Standard: Topology: referência internacional para critérios de topologia e desempenho de infraestrutura de Data Centers.
  • Uptime Institute — Tier Certification: informações sobre a aplicação dos critérios Tier ao projeto, construção e operação de Data Centers.
  • MSE Engenharia — Data Center Scala: informações sobre escopo e números do empreendimento.
  • MSE Engenharia — Data Center Tier III Itaipu: informações sobre a atuação da MSE no empreendimento.
  • MSE Engenharia — Obras e projetos: portfólio de projetos de Data Centers e demais empreendimentos.

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