Q

uando um cliente pede um data center Tier 3, ele está pedindo uma coisa específica: uma instalação em que qualquer equipamento possa ser desligado para manutenção sem interromper a operação. Tudo o que muda na obra deriva dessa exigência.

Neste artigo, explicamos o que são os níveis Tier, o que o Tier 3 exige de cada sistema, como funciona a certificação e por que ele é o padrão mais pedido no Brasil.

De onde vem a classificação Tier

A classificação é do Uptime Institute, organização norte-americana que mantém o Tier Standard: Topology. Ela descreve quatro níveis de disponibilidade da infraestrutura física — energia e climatização — e não da camada de TI. Escreve-se Tier I a Tier IV ou Tier 1 a Tier 4; o significado é o mesmo.

  • Tier 1: caminho único de energia e refrigeração, sem redundância. Qualquer manutenção exige parada.
  • Tier 2: componentes redundantes (N+1 em geradores, UPS e chillers), mas ainda um único caminho de distribuição.
  • Tier 3: manutenção concorrente. Múltiplos caminhos de distribuição, um ativo; qualquer componente pode ser retirado de serviço sem afetar a carga.
  • Tier 4: tolerância a falhas. Sistemas totalmente independentes e simultaneamente ativos (2N ou 2N+1); uma falha não planejada em qualquer ponto não afeta a operação.

O que o Tier 3 exige de cada sistema

Elétrica. Duas entradas de média tensão ou um esquema que permita isolar a subestação para manutenção; N+1 em transformadores, geradores e UPS; dois caminhos de distribuição em baixa tensão até o rack, com um deles ativo. Os quadros de transferência e os barramentos precisam ser manobráveis sem desligar cargas críticas.

Climatização. N+1 em chillers, bombas e CRAHs, e uma rede de água gelada com caminhos redundantes: anel ou ramais independentes, com válvulas de seccionamento que permitam isolar trechos.

Diesel. Autonomia mínima de 12 horas de combustível na carga plena, com sistema de abastecimento e bombas também redundantes.

Automação. BMS e EPMS que permitam operar as manobras de forma segura, com alarmes e intertravamentos que impeçam a perda de redundância por erro de operação.

Como funciona a certificação

O Uptime Institute certifica em etapas. A primeira é a Tier Certification of Design Documents, que avalia o projeto. A segunda é a Tier Certification of Constructed Facility, em que auditores visitam a instalação pronta e realizam testes ao vivo: desligam geradores, isolam chillers, simulam a perda de um caminho elétrico e verificam se a carga crítica permanece alimentada. Há ainda a certificação de operação, que avalia procedimentos e equipe.

Para a obra, isso tem uma consequência direta: o as built, os relatórios de comissionamento e a documentação de cada teste precisam estar completos e rastreáveis, porque são a base da auditoria.

Quanto custa a diferença entre Tier 2 e Tier 3

O custo adicional está nos caminhos redundantes, não nos equipamentos redundantes — o N+1 já existe no Tier 2. Um segundo caminho de distribuição significa mais painéis, mais barramento, mais condutores, mais tubulação e mais área de salas técnicas. Em projetos que executamos, o segundo caminho é uma das principais razões para a instalação de um único site somar mais de 200 km de condutores de baixa tensão.

O Tier 4 dobra tudo: duas infraestruturas completas e simultaneamente ativas. Por isso, no Brasil, é raro fora de aplicações financeiras e governamentais específicas.

Por que o Tier 3 é o padrão no Brasil

Os operadores de colocation e hyperscale trabalham com contratos de disponibilidade que não admitem paradas para manutenção. O Tier 3 é o nível mínimo que garante isso, com custo compatível com o modelo de negócio. É o que vemos nos principais polos — região metropolitana de São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Fortaleza e Porto Alegre — e também em projetos do setor elétrico e público.

Um exemplo é o Data Center Tier III da Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu, projetado e executado nesse padrão: 1.828 m² de área construída, 40 km de cabos elétricos de baixa tensão e 92 toneladas de estrutura metálica.

O que muda na execução

Em Tier 3, a obra não termina na montagem: termina no comissionamento integrado, quando cada redundância é testada com carga e documentada. Isso exige que as equipes de elétrica, HVAC, automação e incêndio trabalhem sob a mesma coordenação, porque os testes cruzam todas as disciplinas.

É com essa abordagem que a MSE Engenharia, empresa de engenharia e instalação de data center, executa obras Tier 3: equipe própria em campo, painéis e eletrocentros da fábrica própria e comissionamento L1–L5 antes do first power.

Ficamos à disposição para avaliar os requisitos Tier do seu projeto.

Fale com nosso time de engenharia.

Bruno Leite Viana
Bruno Leite Viana
Diretor de Marketing da MSE Engenharia, onde desde 2017 transforma projetos de engenharia industrial, obras e data centers em conteúdo técnico claro e confiável. Especialista em Comunicação Empresarial pela UEL (Universidade Estadual de Londrina), lecionou na pós-graduação da universidade e soma mais de 20 anos de carreira em comunicação.
LinkedIn

Mais posts de

Inovação

VER TODOS