E

m um data center, o incêndio é um risco duplo: o fogo e a água usada para apagá-lo. Um sprinkler acionado por engano dentro de um data hall causa o mesmo dano que um princípio de incêndio. Por isso, a proteção contra incêndio em missão crítica é desenhada para detectar cedo, confirmar antes de agir e apagar sem água sempre que possível.

Neste artigo, explicamos os sistemas que compõem essa proteção e como são instalados em obra.

Detecção precoce por aspiração

O primeiro sistema é o de detecção por aspiração (ASD). Uma rede de tubos com furos calibrados coleta amostras de ar continuamente e as leva a um detector a laser, capaz de identificar partículas de combustão muito antes de haver fumaça visível. É o que permite intervir em um cabo superaquecido antes de virar fogo.

O sistema é dividido em zonas, e cada zona reporta ao painel de detecção e alarme (SDAI), que por sua vez se integra ao BMS.

Sprinklers com válvula de pré-ação

Dentro dos data halls, os sprinklers ficam com a tubulação seca, pressurizada com ar. A válvula de pré-ação só admite água na rede após uma confirmação independente de incêndio, vinda do sistema de detecção. Um sprinkler quebrado por acidente não molha nada.

Existem variantes de intertravamento simples e duplo; o duplo exige detecção e rompimento do bulbo do sprinkler para liberar água, e é o mais usado em data halls. No Scala Barueri, foram 8 válvulas de pré-ação e 5,3 km de tubulação de combate a incêndio.

Supressão por agente limpo

Para apagar o fogo sem água, os data halls e as salas elétricas recebem supressão por agente limpo: gases como FK-5-1-12 ou HFC-227ea, ou gases inertes como IG-541, armazenados em cilindros e descarregados em segundos ao segundo sinal de detecção.

A instalação exige salas estanques: o gás precisa manter a concentração por tempo suficiente. Por isso, o teste de estanqueidade (door fan test) faz parte do comissionamento, e portas, passagens de cabos e dutos precisam estar vedados.

Proteção convencional fora dos halls

Nas áreas de apoio, casas de máquinas e circulações, a proteção é convencional: hidrantes, sprinklers de tubo molhado, bombas de incêndio com redundância e reservatório. As bombas são cargas elétricas críticas e precisam de alimentação por gerador.

Firestop

Cada passagem de cabo, tubulação ou duto entre compartimentos corta-fogo precisa ser selada com sistema firestop certificado, que restaura a resistência ao fogo da parede ou laje. Em data center, com centenas de passagens de leitos e tubovias, o firestop é uma disciplina própria, com projeto, execução e registro fotográfico de cada selagem. No Scala Barueri, foram 35 m² de sistema firestop.

Intertravamentos

O sistema de incêndio não age sozinho. Ao confirmar incêndio, ele comanda o desligamento da climatização da zona afetada, para não espalhar fumaça nem diluir o gás, fecha dampers, libera portas de controle de acesso e sinaliza no BMS. Esses intertravamentos são testados um a um no comissionamento.

O que costuma dar errado

Detectores contaminados por poeira de obra, porque foram instalados antes da limpeza final; salas que reprovam no teste de estanqueidade por passagens sem firestop; e intertravamentos com a climatização programados no BMS mas nunca testados com o sistema real.

Incêndio, climatização e automação integrados

Na MSE Engenharia, empresa de engenharia e instalação de data center, combate a incêndio, detecção, supressão por gás e firestop são executados pela mesma equipe que faz elétrica, HVAC e automação, o que resolve os intertravamentos em campo. Este artigo integra o guia Instalações para data center em 15 etapas.

Ficamos à disposição para avaliar a proteção contra incêndio do seu projeto.

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Bruno Leite Viana
Bruno Leite Viana
Diretor de Marketing da MSE Engenharia, onde desde 2017 transforma projetos de engenharia industrial, obras e data centers em conteúdo técnico claro e confiável. Especialista em Comunicação Empresarial pela UEL (Universidade Estadual de Londrina), lecionou na pós-graduação da universidade e soma mais de 20 anos de carreira em comunicação.
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